Sábado, 4 de setembro de 2010  

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Os navios da esperança

São mais de 20 mil quilômetros de rios navegáveis. Praticamente meia volta ao mundo. Podemos ter uma vaga idéia do que isso representa quando descobrimos que é possível navegar no rio Amazonas, de Manaus até Tabatinga, na fronteira com o Peru, por sete dias, ou 3.600 km.

Para patrulhar toda essa imensa malha hidroviária que é a Bacia Amazônica, a Marinha do Brasil possui somente cinco Navios-Patrulha Fluvial (ou NaPaFlu, como são mais conhecidos por seus tripulantes) e dois Navios de Assistência Hospitalar (NAsH).

A própria Marinha considera difícil cumprir essa missão com os parcos meios de que dispõe. Tanto que, dentro da prioridade de uma maior presença militar na região Amazônica – determinada pela Política de Defesa Nacional – está prevista a construção de mais cinco Navios - Patrulha com capacidade de operar helicópteros, outros dois de menor porte, mais um Navio Hopsitalar, um navio-hidrográfico e 20 Lanchas-Patrulha Fluvial. Além disso, o Grupamento de Fuzileiros Navais de Manaus (AM) será transformado em um Batalhão. O 3º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (HU-3) receberá mais aeronaves e, em Belém (PA), será instalado um outro Esquadrão.

A Marinha marca sua presença na Região Amazônica, de forma contínua, desde 1868, garantindo a soberania nacional na região e levando todo tipo de apoio às populações ribeirinhas, em sua maioria extremamente isolados e necessitados de educação, assistência médica e odontológica e até mesmo – por mais incrível que possa parecer ao cidadão das grandes metrópoles do resto do país – da simples noção de que são cidadãos brasileiros.

Sendo assim, essas populações se acostumaram, por décadas e por várias gerações, a ver os navios da Flotilha do Amazonas – as 'Corvetas'" da Marinha, como os ribeirinhos se referem aos navios – como o maior e talvez o único sinal da presença do Estado Brasileiro na Amazônia.

Nos pontos mais extremos e próximos à fronteira com outros países da Região, a presença centenária da Marinha ajudou essas populações até mesmo a manter seu senso de identidade nacional.


Crédito: Alexandre Fontoura

 

 

 

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