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Amazonas - O Rio-Mar
Segundo a Sociedade National Geographic, em registro de 1971,
o Amazonas nasce na montanha Mismi, de 5.597 metros, na região
peruana de Arequipa, na Cordilheira dos Andes.
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Um dos locais de onde a água brota no paredão do Mismi
Foto: Oton Barros/DSR/INPE /Divulgação |
Cientistas do Peru e Brasil confirmaram que o Amazonas é o maior rio do mundo não só em volume d água, mais em extensão também e indicaram sua origem exata, segundo informações do Instituto Geográfico Nacional (IGN) peruano e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) brasileiro.
Enfrentando duras condições climáticas, durante a expedição, os pesquisadores chegaram ao topo do monte Mismi, acima de 5.000 metros de altitude, e percorreram as "quebradas" (vales profundos) de Carhuasanta e Apacheta, nas encostas dessa montanha, para concluírem seu trabalho.
“Os resultados oficiais obrigam a comunidade científica internacional a posicionar o Amazonas como o mais extenso do mundo”, disse o diretor geral do departamento de Cartografia do IGN, Ciro Serra, que lembrou que isto já é reconhecido por instituições como o “National Geographic”.
Os cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), do Instituto Geográfico Nacional (IGN) do Peru, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e da ANA (Agência Nacional de Águas), levaram dezesseis anos de pesquisas, durante os quais retraçou o curso do Amazonas de sua foz, na divisa do Pará com o Amapá, até a nascente, nas cabeceiras do Rio Apurimac, no Peru.
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| Imagem do satélite sino-brasileiro CBERS-2 do rio Lloqueta e suas duas principais quebradas (córregos). À direita, a quebrada Carruahsanta, e à esquerda, a quebrada Apacheta. |
Os integrantes da 1ª Expedição Científica ao Nascimento do rio Amazonas, formada por cientistas do Instituto Geográfico Nacional (IGN) do Peru e do INPE, viajaram em maio de 2007 ao Mismi e às quebradas de Carhuasanta e Apacheta, na Cordilheira dos Andes, em busca da nascente do Amazonas. Foram necessários seis dias e cinco noites em meio a um clima inóspito, a 5,6 mil m de altitude, para que a primeira expedição científica brasileira consolidasse a localização da nascente do rio Amazonas na cordilheira de Chila, nos Andes do sul do Peru.
Após colocar marcos geodésicos nas quebradas que se presumiam que eram as nascentes do Amazonas e medir o caudal de cada um, os expedicionários concluíram que a cabeceira do rio estava a mais de cinco mil metros de altura acima do nível do mar e que a extensão do rio era maior que a do Nilo. As medições apresentadas pelo INPE somaram ao Amazonas 230 km.
Os dados coletados indicam que a principal vertente começa no Nevado Mismi a partir da Quebrada (córrego) Apacheta. Entre a nascente e o oceano Atlântico, o curso d'água ganha os nomes de Lloqueta, Apurimac, Ene, Tambo, Ucayali, Solimões e Amazonas.
Segundo o investigador Paulo Roberto Martini, que coordenou o estudo, para medir a extensão dos rios foram utilizadas técnicas de vigilância remota, geoprocessamento e mosaicos ortorretificados Geocover. "A interpretação dos dados foi feita diretamente sobre as imagens a partir do Sprig, um software de geoprocessamento desenvolvido pelo INPE", informou o organismo em comunicado.
O Amazonas foi descoberto pelo conquistador espanhol Francisco Orellana, em 1542, tem 6.992 quilômetros de comprimento segundo as novas descobertas, sendo seguido pelo Nilo e o Yang Tzé, na China, com 6.852 e 6.300 quilômetros respectivamente.
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Marco Geodésico instalado na Quebrada Apacheta. Foto: Oton Barros/DSR/INPE/Divulgação |
A polêmica sobre o rio Amazonas vem de longos anos, desde o princípio da colonização espanhola, época em que o jesuíta Cristóbal de Acuña apresentou uma teoria sobre o nascimento do gigantesco rio na Cordilheira dos Andes, através de uma carta ao Rei da Espanha, em 1641, Felipe IV de Hsburgo, chamado de “O Grande”, o “Rei do Planeta”.
O Amazonas foi chamado pelo navegador espanhol Vicente Pizón, no século 15, de Mar Doce. Sua boca, que vai do arquipélago do Marajó, no Pará, até a costa do Amapá, escancara-se por cerca de 250 quilômetros. Sua água marrom penetra mais de 300 quilômetros no azul do mar, fertilizando o Atlântico com pelo menos 11% da água doce do planeta. Esse mundo líquido e doce atinge o Caribe, o Gulf Stream e o sul da Flórida, Estados Unidos, onde pode-se encontrar vegetação típica da Amazônia, fruto das sementes do Trópico Úmido arrastadas pelo Mar Doce até o limite do trópico setentrional.
O colosso marrom é a espinha dorsal da maior bacia hidrográfica do mundo, formada por mais de mil gigantes, numa área de 5.846.100 quilômetros quadrados, no norte da América do Sul, banhando Peru, Colômbia, Brasil, Bolívia, Equador, Venezuela e Guiana. Só a bacia do rio Negro contém mais água doce do que a Europa.
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Foto tirada no cume do Nevado Mismi.
Foto: Oton Barros/DSR/INPE/Divulgação |
O nível das águas do Amazonas varia em média 10,55 metros e sua profundidade chega a 100 metros. Suas águas correm a uma velocidade média de 2,5 quilômetros por hora, chegando a 8 quilômetros, em Óbidos, cidade paraense a mil quilômetros do mar e ponto de sua garganta mais estreita, com 2 quilômetros e 600 metros de largura. A parte mais larga, fora do estuário, fica próxima à embocadura do rio Xingu, à margem direita, com 20 quilômetros de largura, mas nas grandes cheias pode chegar a mais de 50 quilômetros. O Amazonas é navegável por navios de alto-mar da embocadura à cidade de Iquitos, no Peru, ao longo de 3.700 quilômetros. Seu talvegue, nesse curso, sempre superior a 20 metros, chega a meio quilômetro de profundidade próximo à foz.
A vazão do Rio-Mar é de pelo menos 200 mil metros cúbicos de água por segundo, o suficiente para encher 8,6 baías da Guanabara em um dia. No Atlântico, despeja, em média, 400 mil metros cúbicos por segundo, volume que pode chegar a 600 mil metros cúbicos. Despeja também no Atlântico, diariamente, 3 milhões de toneladas de sedimento.
Fonte: INPE
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